quarta-feira, 18 de maio de 2011

LACTOVEGETARIANO: Aspectos filosóficos, científicos e religiosos.


ASPECTOS FILOSÓFICOS DO LACTOVEGETARIANISMO

Problema Ético: É legítimo o direito de matar para se comer carne?

Partindo do princípio que para todas as entidades vivas a vida seja um dos maiores bens, senão o maior bem, que direito temos de matar um animal para nos alimentar?

Por que é errado matar um humano, mas se julga correto matar um animal? De onde vem a legitimidade desse direito?

Assim como um humano não gostaria de ser morto para servir de comida, os animais também não se entregam espontaneamente para o abate.

Se aceitarmos, de forma tranqüila, que podemos matar um animal para nos alimentar, não seria correto aceitar também com a mesma naturalidade que os animais pudessem se alimentar de seres humanos?

Alguns poderão dizer que os animais não possuem alma, e que por isso podem ser mortos para servir de alimento. Quanto a isso devemos lembrar que até bem pouco tempo atrás, se dizia que os negros e as mulheres também não possuíam alma, e isso era motivo para justificar e encobrir as mais aterrorizantes maldades e injustiças. Será que pelo simples fato de acreditarmos que os animais não possuem alma seja uma razão suficientemente forte para matá-los?

Outros poderiam alegar que os animais não possuem inteligência desenvolvida como a nossa tratando-se de seres inferiores, que por esse motivo, merecem ser abatidos para servirem de alimento. Nesse caso, devemos nos lembrar que o fato de um animal não ter a inteligência desenvolvida como a nossa não significa que isso torne justo o fato de abate-los para a alimentação, pois se assim fosse, as pessoas que nascessem com problemas de retardo mental, ou  pessoas acidentadas, ou crianças com problemas neurológicos por subnutrição na primeira infância e velhos portadores de certas doenças, todos esses também se encaixariam nessa categoria, podendo ser considerados “próprios para o consumo humano”.

Se poderia também afirmar que na natureza, os animais se matam uns aos outros para se alimentar e que isso é absolutamente normal, por que o homem não pode fazer o mesmo? Porém, o caso é que os animais, em seu habitat natural, comem somente o que o instinto manda. Eles não possuem inteligência para realmente discernir o que é correto comer e o que não é, apenas seguem sua própria natureza e se alimentando dessa forma estão de acordo com sua fisiologia. Já o homem não segue tanto seu instinto, mas principalmente seu raciocínio para realizar suas vontades, o que o conduz, muitas das vezes, ao hábito errado, contrariando sua fisiologia. Mas o homem pode com esse mesmo raciocínio chegar a entender que ele não é como os animais, que não precisam nem possuem opção de mudar sua dieta, evitando o sofrimento de outros animais. Um animal quando mata o outro para se alimentar, o faz por necessidade de sobrevivência. Já o homem, excetuando aquelas situações onde ele não possui escolha (os esquimós por exemplo) o faz por um mero capricho do paladar, já que está mais que provado, como veremos a seguir, que não necessitamos da carne como um alimento imprescindível em nossa dieta.

É comum se ouvir: “Deus não fez os animais para servirem ao homem?”. Quanto a isso devemos reconhecer que existem muitas religiões no mundo, das quais muitas pregam a abstinência da crueldade contra os animais, contudo a Bíblia judaico-cristã, possui uma passagem onde se diz que os humanos possuem um “domínio” sobre os outros animais. Mesmo que aceitemos essa afirmação como verdade, devemos nos atentar de que em seu contexto original, a palavra domínio é definida como “administração”. Torturar e matar milhões de animais todos os anos por motivos extremamente desnecessários é muito diferente de administrar. Dominação não é tirania!

Também é comum se ouvir: “mas a exploração animal é legalizada, não constituindo nenhum mal...”. Se recorrermos à história, vamos perceber que também foi legal a exploração de escravos humanos no Brasil. Na Alemanha nazista, era perfeitamente legal a tortura, exploração e assassinato de judeus. Daí podemos concluir que “a legalidade de algo não determina sua moralidade”.

Muitos alegam que “todo direto advém da força” e como a raça humana é a mais poderosa sobre a terra, é ela que determina o direito. Mas por que o direito deve advir da força e não da justiça? Se formos justos, não poderemos aceitar essa alegação.

O ponto é, se os humanos se acham merecedores de direitos inerentes e inalienáveis, por que os animais também não o são merecedores?

Nós, humanos, transformamos nossas necessidades básicas (alimentação, educação, vestuário, saúde, moradia, etc.) em direitos fundamentais.

Parece que nós, humanos, “legislamos em causa própria”. Será que por que não reconhecemos os direitos dos animais, esses não os possuem? Será que suas necessidades básicas também não podem ser transformadas em direitos? Será que eles devem ser tratados sempre como objetos a serem explorados e não como seres vivos como nós, merecedores de respeito e com seus direitos reconhecidos e garantidos?

Certamente, o ser humano, por ser muito mais inteligente que os outros animais, deveria cuidar, pajear e proteger os outros animais, assim como um irmão mais velho cuida dos seus irmãos menores.

ASPECTOS CIENTÍFICOS

Alimentação lacto-vegetariana e as proteínas.

Uma célula necessita de 45 diferentes nutrientes para sobreviver, sendo que os mesmos provêm da alimentação. Em sânscrito, nosso corpo físico é chamado de “anamaya kosha” que significa “corpo feito de alimento”, dando a entender que somos o que comemos.

A primeira coisa que se questiona numa alimentação lacto-vegetariana seria sua suposta falta de proteínas.

Quando indagamos a alguma pessoa por que ela come carne, geralmente ela responde que é para satisfazer as necessidades de proteína do organismo. Muitos até afirmam que não gostam de carne, mas têm medo de prejudicar a saúde se deixarem de comê-la. Os médicos, em sua grande maioria, costumam dizer que uma alimentação sem carne é prejudicial. Entenda-se aqui o termo “carne” abrangendo a todos os seus tipos e derivados (lingüiça, salsicha, presunto, salame, bacon, aves, etc.) e também ao peixe. O peixe é citado expressamente porque muitas pessoas ficam assombradas por incluirmos o mesmo na lista de produtos da carne. Para muitos, peixe não é carne. Entendem por carne apenas animais terrestres. Os frutos do mar (camarão, siri, lula, marisco, etc.) também são aqui incluídos no termo “carne”.

A preocupação com a falta de proteínas na alimentação, incutido durante décadas pela ortodoxa ciência  da nutrição amedronta até mesmo alguns vegetarianos. Qualquer conselho fica difícil por causa deste medo enraizado, produto de uma mistura de tradição cultural e desinformação sistemática e ininterrupta.

Mas o caso é: a alimentação lacto-vegetariana nos fornece proteínas suficientes para uma vida saudável? E qual os malefícios causados à saúde pelo hábito de se comer carne?

Primeiramente devemos entender do que são feitas as proteínas.

A ciência descobriu que as proteínas são formadas por uma seqüência de sub-unidades chamados aminoácidos. Existem 20 tipos diferentes de aminoácidos encontrados universalmente nas proteínas.

As diversas proteínas contêm estes 20 aminoácidos em proporções diferentes. Cada proteína apresenta um aminograma específico. O aminograma mostra o conteúdo percentual em aminoácidos de cada proteína.

Da mesma forma que conseguimos escrever muitas palavras, sentenças e livros usando as 25 letras do alfabeto, encontramos as mais variadas proteínas formadas à partir de 20 aminoácidos. Por exemplo: a molécula da hemoglobina é formada por aproximadamente 600 aminoácidos combinados entre si. Existem proteínas que possuem mais de 4.000 aminoácidos em sua composição.

Dos 20 aminoácidos existentes, 9 são considerados essenciais (9 nas crianças e 8 nos adultos). Os aminoácidos essenciais são aqueles que o organismo não consegue fabricar, tendo que ser fornecidos de fontes externas, enquanto que os outros aminoácidos, não essenciais, o organismo mesmo fabrica. As proteínas que existem nos alimentos possuem quantidades variáveis destes aminoácidos essenciais. É aí que está a importância deles. Por exemplo: se faltar a letra “Q” no alfabeto, a palavra “qualidade” assim como várias outras não poderão ser formadas. Da mesma forma, quando falta um aminoácido essencial várias proteínas não poderão ser formadas, causando problemas ao bom funcionamento do organismo.

É sabido que as proteínas de origem animal possuem todos os aminoácidos essenciais. Logo, uma dieta carnívora, obrigatoriamente fornecerá todos os aminoácidos essenciais, garantindo um suprimento suficiente dos mesmos. É por isso que os médicos, em sua maioria, orientam as pessoas para uma dieta rica em carne.

Tabela dos aminoácidos essenciais:
1-Histidina
2-Isoleucina
3-Leucina
4-Lisina
5-Metionina
6-Fenilalanina
7-Treonina
8-Triptofano
9-Valina

Sabendo-se então, que necessitamos de todos os aminoácidos essenciais em nossa alimentação, fica a pergunta: a alimentação lacto-vegetariana pode nos oferecer todos eles? 

Antigamente pensava-se que as proteínas de origem vegetal não possuíam todos os aminoácidos essenciais em sua composição. Por exemplo: os cereais possuem quase todos os aminoácidos essenciais com exceção do triptofano e da lisina; nas leguminosas (feijões) está ausente a metionina. Logo, poderíamos concluir, inicialmente, que realmente uma dieta à base de vegetais nos causaria falta dos aminoácidos essenciais. Porém, pesquisas recentes demonstram que a soja possui todos os aminoácidos essenciais. Mas mesmo que faltasse a metionina na soja isso não configuraria um problema, pois, se observarmos melhor, notaremos que na alimentação humana, existe o costume de se misturar vários tipos de alimentos em uma mesma refeição. No Brasil, por exemplo, o prato básico é o famoso “arroz com feijão”, no México temos o “feijão com milho”, assim por diante. Esses pratos básicos, nada mais são do que uma fórmula criada ao longo das décadas para juntar os aminoácidos dos cereais com os aminoácidos das leguminosas, para assim, obtermos todos os aminoácidos numa única refeição. É por isso que esses pratos básicos sustêm a alimentação de milhares de pessoas que não possuem condições financeiras para se alimentar de carne, que é um “alimento” muito mais caro.

A combinação de cereais com leguminosas pode nos fornecer todos os aminoácidos que necessitamos. Some-se a isso outras fontes vegetais de proteínas (castanhas, sementes, frutas) mais o leite e seus derivados, que todo o suprimento de proteínas, com todos os aminoácidos essenciais, estará garantido.

O leite é rico em proteínas de origem animal e como vimos anteriormente, as proteínas de origem animal possuem todos os aminoácidos essenciais.

Também devemos nos lembrar do mel e do pólen, que também são fontes de proteínas. Dessa forma, a carência de aminoácidos essenciais está totalmente descartada de uma dieta lacto-vegetariana.

Hoje em dia é comum verificarmos uma verdadeira propaganda a favor do consumo de grandes quantidades de proteína animal na alimentação. Porém isso não é verdadeiramente uma necessidade real.
Abaixo segue uma Tabela com as quantidades percentuais aproximadas de proteínas de alguns alimentos:

1-Carne – 20%
2-Ovo – 13%
3-Leite de vaca – 3,0 a 3,5 %
4-Leite humano – 2,0 a 2,5 %
5-Soja – 40%

O leite nos mostra uma indicação simples da porcentagem que a Natureza considera adequada para o ser humano. O bebê, que recebe somente leite materno, cresce e duplica seu peso em apenas um ano. É a fase de maior crescimento do organismo. Como podemos verificar na tabela acima, o leite materno possui apenas de 2 a 2,5 % de proteína. O leite de vaca contém um pouco mais. Mesmo durante a fase de maior crescimento do organismo, só precisamos de uma pequena quantidade de proteínas. Se necessitássemos de uma maior quantidade, o leite materno certamente o conteria. O adulto que já parou de crescer, cujo metabolismo visa somente à conservação precisa até de menos proteínas.

Lacto-vegetarianismo e a vitamina B12.

A vitamina B12 é muito importante ao nosso organismo. Ela é um nutriente muito utilizado em várias reações bioquímicas, principalmente no sistema nervoso. Quando ela falta ao organismo, vários problemas neurológicos podem surgir.

Como nos vegetais essa vitamina é praticamente inexistente, muitos médicos e nutricionistas desaconselham a prática do vegetarianismo.

Contudo, o leite possui quantidades satisfatórias de vitamina B12, o que garante ao lacto-vegetariano um bom funcionamento do seu sistema nervoso.

Algumas pessoas que sofrem de problemas com a absorção de vitamina B12, como no caso da disbiose intestinal (desequilíbrio da microflora intestinal que causa alterações da saúde com contribuição importante no desenvolvimento de processos degenerativos e alterações do sistema imune), mesmo ingerindo leite, poderão desenvolver carência dessa vitamina, necessitando de tratamento médico específico.


Quais os malefícios causados ao organismo pelo hábito de se comer carne?

Aquilo que chamamos de “carne” são tecidos animais formados por células. Quando o animal morre, dentro de suas células ocorre um fenômeno, que consiste no aumento da permeabilidade na membrana dos lisossomos. Os lisossomos são organelas celulares responsáveis pela digestão celular. Resumidamente falando, são pacotinhos feitos de uma membrana lipoprotéica, revestida com polissacarídeos, cheias de enzimas. Com o aumento da permeabilidade a membrana lipoprotéica do lisossomo deixa escapar para o meio celular suas enzimas, que começam a digerir a própria célula. Esta digestão que ocorre de dentro para fora da célula dá origem a uma série de compostos muito tóxicos. Começa então surgir a cadaverina, putrescina, indol, escatol, etc. Além dessa decomposição de dentro para fora, existe também as alterações químicas nas proteínas da carne ingerida, causadas pelo ataque de microorganismos da flora intestinal que também vão originar compostos muito tóxicos como o sulfeto de hidrogênio, mercaptanas além daqueles já acima descritos.

O animal carnívoro possui um intestino com aproximadamente três vezes o tamanho de seu corpo, o que é relativamente curto. Isso ocorre para que a carne ingerida, que não foi devidamente digerida, não tenha tempo de sofrer a degradação acima descrita, pois do contrário, o animal absorveria todos esses produtos tóxicos.

Graças ao fato de as células vegetais muito raramente possuírem lisossomo (por exemplo, as células das sementes possuem “lisossomos” que, durante a germinação, digerem as substâncias nutritivas armazenadas - na verdade, os ditos “lisossomos” de células vegetais são vacúolos contendo hidrolases ácidas), o que impede a degradação intracelular referida acima, e por possuírem a membrana celulósica (parede celular), cutina (camada constituída de polímeros de ácidos graxos de cadeia longa) e serem revestidas externamente por ceras de constituição complexa, os tecidos vegetais são muito mais resistentes aos ataques de microorganismos. Com isso, os animais herbívoros (vacas, cavalos, carneiros, etc.) podem possuir um intestino com aproximadamente 10 vezes o tamanho de seu corpo e os animais frugívoros 12 vezes, sem maiores problemas.

O ser humano possui um intestino com aproximadamente 6 vezes o tamanho do corpo. Logicamente, possuindo um intestino tão comprido, a ingestão de carne pode causar problemas, pois um pedaço de carne mal digerido (o que é bastante freqüente) terá um tempo bem longo para atravessar todo o tubo digestivo, o que favorecerá a absorção dos produtos tóxicos oriundos da degradação celular, que terá um bom tempo para ocorrer. 

Quando colocamos um pedaço de carne e um vegetal (alface, cenoura, maçã, etc) expostos às condições ambientais, notamos que a carne estraga muito mais rápido que o vegetal. Notamos que mesmo quando o vegetal apodrece, ele nunca é tão repugnante e mal cheiroso quanto a carne. Com este exemplo simples, podemos ter uma idéia do que acontece no interior das vísceras de uma pessoa que se alimenta com carne. Apesar da carne ser um “alimento” rico em proteínas, estas proteínas estão “sujas” pois junto com elas estão muitos tipos de substâncias tóxicas.  Graças à certas diferenças constitucionais entre a célula vegetal e a animal, os vegetais podem nos fornecer proteínas que não estão acompanhadas de tantas substâncias tóxicas.

É de grande importância a questão da absorção das gorduras saturadas de origem animal. As ingestão de  gorduras saturadas é uma das principais causas de ataques cardíacos e derrames cerebrais entre os humanos. Como é sabido, as gorduras tem sua digestão mais lenta que os açúcares e proteínas, assim, os animais carnívoros, graças ao seu curto sistema digestório, que confere uma passagem rápida pelos intestinos da carne ingerida, absorvem apenas uma pequena parcela da gordura saturada nela contida. Já o homem, com seu longo intestino, tem tempo de sobra para absorver altas doses de gordura saturada, trazendo complicações ao seu organismo.

Além disso, a carne é também o “alimento” mais rico em ácido úrico, substância tóxica, produto final da degradação das purinas (substância presente nos ácidos nucléicos, xantinas,e outros)  intimamente relacionada com várias doenças degenerativas como o reumatismo, artrite e gota. Com exceção dos primatas (o homem é um primata), os outros animais possuem uma enzima chamada uricase, que transforma o ácido úrico em alantoína, substância relativamente inócua e eliminada na urina.

Também é digno de nota, que uma dieta humana lactovegetariana produz uma flora intestinal predominantemente fermentativa (bactérias Gram [-]), enquanto que uma dieta carnívora produz uma flora intestinal predominantemente putrefativa (bactérias Gram[+]). Assim, também é importante lembrarmos que quando o intestino se polui, nossa saúde sofre um grande abalo. Isso porque 60% de nosso sistema imunológico se encontra nos intestinos, e quando esse se enfraquece devido aos hábitos alimentares não salutares, nossas defesas contra infecções diminuem. Também é importante ressaltarmos o fato de que 60% da serotonina (hormônio do “bem estar”) produzida no corpo é gerada nos intestinos, e quando estes estão intoxicados, essa produção sofre uma substancial queda.

Quanto ao leite, podemos afirmar que ele nos fornece proteína de origem animal (caseína), contendo todos os aminoácidos essenciais, porém sem os malefícios da carne. O leite não é formado por células (não é um tecido) contendo lisossomos que viabilizam a degradação celular. Também, consumido com moderação (3 xícaras ao dia), fornece níveis seguros de gordura saturada. Por isso ele é uma fonte de proteínas de melhor nível que a carne, pois sua proteína não é “suja”. A proteína do leite também é melhor do que a dos vegetais, do ponto de vista que ela  possui todos os aminoácidos essenciais e garante uma provisão segura de vitamina B12 (que os vegetais não possuem).

As carnes brancas, frutos do mar e o ovo.

É muito comum se ouvir dizer que as carnes “brancas” (aves e peixes) são mais saudáveis que as carnes “vermelhas”. Porém existem alguns pontos que devemos levar em consideração antes de aceitarmos tais afirmações.

Todas as aves (galinha, peru, pato, faisão, etc.) possuem um problema de insuficiência renal característico. Seu sistema excretor é muito primitivo. Só para se ter uma idéia, as aves não tem um sistema para a eliminação de fezes separado da urina nem separado para o sexo. A cloaca exerce todas as três funções.

Por causa dessa insuficiência renal, a carne das aves possui uma taxa maior de uréia (substância tóxica produto final do metabolismo das proteínas) e creatinina (substância final do metabolismo da creatina utilizada nos músculos), o que lhe confere o sabor característico, pois a excreção dessas substâncias esta comprometida.

Os peixes, por serem animais mais primitivos ainda, seu sistema excretor também deixa a desejar. O rim dos peixes de água salgada possui gromérulos pequenos e em pouca quantidade, pois a água do mar, rica em sais, tem pressão osmótica superior à do sangue dos peixes. Já os peixes de água doce, possuem um grande número de gromérulos para produção de uma grande quantidade de urina, pois a pressão osmótica da água doce é inferior à do sangue dos peixes. Porém, em ambos os casos, eles não transformam a amônia (NH3, substância extremamente tóxica) em uréia (que apesar de tóxica, é menos tóxica que a amônia), pois como eles dispõe de grandes quantidades de água, ela é diluída em concentrações inofensivas. Mas como quando o peixe é pescado, ele ainda continua vivo por um bom tempo fora da água, agonizando, a amônia produzida nesse período não tem como se dissolver e fica impregnada na carne do animal. Daí o seu odor degradável e característico. A carne de peixe também costuma ficar contaminada com o metais pesados ou outras substâncias tóxicas oriundos da contaminação das águas. Pior ainda acontece com os moluscos filtradores marinhos (ostras, marisco, etc.) e os crustáceos (camarões, lagostas, caranguejos, etc.), pois os mesmos possuem um sistema excretor incrivelmente simples. Os moluscos não possuem rins, mas metanefrídios (quase rins), enquanto que os crustáceos possuem as “glândulas verdes” situadas na cabeça, que filtram os líquidos do corpo e da hemolinfa. Com isso sua carne possui alto teor de ácido úrico, uréia e creatinina. As ostras e mariscos além dessa contaminação endógena de origem fisiológica, também podem conter, por serem animais filtradores de água, altas concentrações de metais pesados e outras substâncias tóxicas quando são colhidos em locais em cujas águas estejam contaminadas. Por isso é muito comum ouvirmos falar de pessoas que sofreram intoxicações alimentares por ingestão de “frutos do mar”.

O ovo comprado em supermercados e quitandas, que é um produto muito utilizado na culinária tradicional, na verdade não pode ser chamado de “ovo”. Um “ovo” é um óvulo fecundado por um espermatozóide. Quando isso não acontece, ele continua a se chamar “óvulo”.

A galinha que vive em granja não tem contato sexual com o galo, logo seu óvulo não é fecundado por um espermatozóide. Então esse óvulo não fecundado, não possui vida, e por isso entra em processo de degradação. Então, logo é expelido pela galinha, como se fosse um excremento (poder-se-ia até dizer, guardando-se as devidas proporções, que se trata de uma “menstruação” de galinha).

Para que o “ovo” seja comercializado sem se estragar facilmente, os criadores introduzem antibióticos na alimentação das aves para retardar essa degradação. Os consumidores desses “ovos” também vão ingerir indiretamente essa droga, o que poderá acarretar problemas ao organismo. Resíduos de antibióticos, em produtos animais, podem ser transferidos a pessoas que os consomem, acarretando efeitos nocivos (reações alérgicas) em indivíduos previamente sensibilizados, além de favorecer o aparecimento de bactérias resistentes.

Outro problema do consumo de “ovos” é o fato de que os criadores também introduzem na alimentação das aves hormônios para aumentar a produção. Esses hormônios, que possuem uma ação direta nas glândulas sexuais, passam a integrar o organismo e os “ovos” dessas aves, trazendo problemas para seus consumidores, pois os mesmo estarão também recebendo de forma indireta essa carga hormonal, que perturbará o delicado equilíbrio hormonal de seus próprios organismos. O processo de manufatura na produção de “ovos” e derivados de carne, não influencia na concentração e estrutura dos esteróides presentes nos tecidos animais, nem protege contra a ingestão destes compostos. Produtos anabólicos podem permanecer na sua forma ativa dentro dos “ovos” e na carne, após o abate, e exercer efeito endócrino nos indivíduos que consomem estes produtos. A prática de tratar animais para corte e para produção de “ovos” com esteróides sexuais pode contribuir para um consumo aumentado destes hormônios não apenas diretamente, a partir da ingestão da carne e “ovos” de animais tratados, mas também via um aumento da excreção destes compostos e seus metabólicos para o ambiente, onde eles poderiam contaminar a água potável.

Quanto ao ovo “galado”, ou seja, que foi fecundado pelo espermatozóide de um galo, podemos dizer que se trata de um “aborto de galinha”. O cadáver do feto dentro do ovo também passa pela degradação celular.

Fisiologia humana: própria para o lacto-vegetarianismo?

Muitas vezes ouvimos dizer que o organismo humano não foi feito para comer apenas vegetais, mas sim carne. Até autoridades médicas corroboram esse tipo de pensamento.

Dizem que nossa arcada dentária, por possuir dentes caninos demonstra nossa origem carnívora, assim como outras coisas de nossa fisiologia (que nunca são declaradas).

Quanto a isso, devemos nos lembrar de alguns fatos que desautorizam essa afirmação:

-Gorilas são animais estritamente vegetarianos, porém possuem gigantescos dentes caninos. Isso se dá por causa da sua necessidade de defesa e não por motivo de sua dieta. Nós humanos possuímos dentes caninos extremamente subdesenvolvidos em relação aos demais animais, de forma que eles não estão ali como arma de caça (como no caso dos carnívoros) tão pouco como arma de defesa (como no caso do gorila).  Eles são usados simplesmente para que haja uma perfeita mastigação dos alimentos, perfurando e rasgando  alimentos fibrosos.

-Animais carnívoros que possuem dentes caninos desenvolvidos, também possuem a saliva ácida. Já os animas herbívoros e o homem possuem a saliva alcalina, pois nela existe a enzima ptialina, que age sobre o amido (carbohidrato  de origem vegetal) para transforma-lo em formas mais simples de polissacarídeos (maltose e dextrinas). Como os animais carnívoros não ingerem amido, esse tipo de enzima não existe em sua saliva.

-Os animais carnívoros possuem todos os dentes pontiagudos, não possuindo os dentes molares. Os animais herbívoros e o homem não possuem todos os dentes pontiagudos, porém possuem potentes molares, apropriados para moer vegetais.

-Os animais herbívoros e o homem possuem o movimento lateral de mandíbula, para que os dentes molares possam moer apropriadamente os vegetais (vegetais possuem células com membrana celulósica, o que lhes confere maior rigides). Já os animais carnívoros não possuem esse movimento lateral de mandíbula. Além disso, suas mandíbulas são alongadas e pontudas, enquanto os animais vegetarianos possuem mandíbulas arredondadas e achatadas)

-Animais carnívoros não possuem glândulas sudoríparas na pele, eles suam pela boca. Os animais herbívoros e o homem suam através de milhares de glândulas sudoríparas espalhadas pela pele.

-Animais carnívoros possuem visão noturna (olhos brilham no escuro) enquanto que os animais vegetarianos e o homem não a possuem.

-Animais carnívoros adoram o cheiro de carne podre e não encontram problemas em ingeri-la, pois sua alta acides estomacal destrói os micro-organismos patogênicos. Os animais vegetarianos e o homem não se sentem atraídos pelo cheiro de carne podre, além de não possuírem uma alta acides estomacal.

-Animais carnívoros são caçadores natos, possuindo grande agilidade e alta velocidade de arranque, além de serem equipados com possantes garras afiadas. Já os animais vegetarianos e o homem possuem velocidade de arranque menor e não possuem garras afiadas.

-Animais carnívoros lambem a água, enquanto animais vegetarianos e o homem sorvem a água.

-Animais carnívoros nascem com os olhos grudados, enquanto que animais vegetarianos e o homem nascem com os olhos abertos.

-Animais carnívoros possuem hábitos noturnos e crepusculares, enquanto que os animais vegetarianos e homem possuem hábitos diurnos.

Relação entre a fome no mundo e o consumo de carne.

Para se criar animais para abate são necessários muitos milhões de toneladas de grãos todos os anos. O processo de se utilizar cereais para produção de carne é incrivelmente improdutivo, pois o custo de produção ½  Kg de proteína animal é o mesmo que para se produzir aproximadamente 10 Kg de proteína vegetal. Somente 10 % das proteínas e calorias com que alimentamos nossos animais para abate é recuperada na carne consumida, o resto é perdida. Estudos feitos em Harvard, pelo nutricionista Jean Meyer, demostram que se fosse reduzida em 10 % a produção mundial de carne, a quantidade de grãos  que deixaria de ser utilizado para esse fim seria suficiente para se alimentar 60 milhões de pessoas. Vários estudos também demonstram que 80 a 90 % de todo grão produzido nos E.U.A. é utilizado para criar e engordar animais.

A criação de gado para abate requer a utilização de vastas áreas de terra, áreas essas que terão sua fertilidade perdida, pois o gado compacta a terra, e a luz solar (raios ultravioleta) recebida nesses pastos esterilizam a microflora (fungos e bactérias) responsáveis pela fertilização do solo (húmus), além do que, esse desmatamento também acaba causando a erosão. Só para se ter uma idéia prática do tamanho do desperdício de terra para a produção de carne, basta dizer que a quantidade de proteína produzida em 17 acres de terra onde se cria gado para abate é a mesma que a produzida em apenas 1 acre plantando-se soja.

Também é interessante notarmos que a pecuária fixa apenas alguns peões no campo, que podem cuidar sozinhos de um vasto rebanho de gado, enquanto que a agricultura absorve uma muito maior massa de mão-de-obra, o que fixa o homem no campo, evitando assim o êxodo rural.

Vegetarianismo e meio-ambiente.

Para se criar animais para abate, são destruídas gigantescas áreas de mata nativa para se produzir os pastos. Essa destruição das matas nativas gera muitos desequilíbrios ecológicos, pondo em risco de extinção várias espécies de animais e plantas.

Para produzir carne, não só a terra é desperdiçada, mas também a água. Criar alimentos para à base de carne requer 8 vezes mais água do que a  necessária para se cultivar verduras e grãos. Isto significa, que enquanto milhões de pessoas morrem de fome e de sede, umas poucas matam animais, destroem vastas extensões de terra, água e grãos, para  simplesmente satisfazer seu caprichoso paladar que prefere a carne, a qual destroe lentamente sua saúde.

Vivemos em um país tropical.

Vivemos em um país tropical onde existe uma grande provisão de frutas, verduras, cereais, mel e leite o ano todo. Com tanta variedade de saborosos e nutritivos alimentos, matar animais para comer  pode ser considerado supérfluo e desnecessário. Como podemos perceber, matar milhões de inocentes animais, todos os anos,  sob a desculpa da “luta pela sobrevivência”, não passa de uma grande e terrível mentira. Talvez essa grande mentira tenha suas raízes sendo nutridas pela inconseqüente predileção do paladar da maior parte de nossa população e da gigantesca e cruel indústria da carne e seus derivados, que vê na morte de pacíficas criaturas uma enorme fonte de lucros.

O chocolate.

Todo alimento, estimulante ou sedativo, por interferir no correto funcionamento cerebral é considerado deletério para as práticas espirituais yogues.

Estudos científicos recentes revelam que o cacau do chocolate possui substâncias que interferem na tranqüilidade das atividades mentais. Uma dessas substâncias se chama feniletilamina, da família das anfetaminas, a principal substância química relacionada a emoção conhecida como “paixão”, por estimular o centro do amor no cérebro. Também foram descobertas no cacau outras substâncias conhecidas como as N-aciletanolaminas, que se unem a receptores no cérebro feminino causando efeito semelhante ao da maconha. Essas substâncias estão presentes no cacau e no chocolate escuro, mas não no chocolate branco.

Com certeza, é por esse motivo que o chocolate esteja tão relacionado à paixão e aos romances. Porém para aqueles que querem atingir um grau de serenidade mental necessário às atividades espirituais a que se propõe, devem rejeitar alimentos que contenham essas substâncias. Como está dito no Bhagavad-Gita, “a mente pode ser nossa amiga ou nossa inimiga” (B.G. 6.5).

ASPECTOS RELIGIOSOS

Cristianismo e lacto-vegetarianismo.

Apesar dos cristãos sempre questionarem a dieta lacto-vegetariana dos vaisnavas, citando algumas partes da bíblia como em Marcos 7:15: “Nada há fora do homem, que entrando nele, o possa contaminar, mas o que sai dele isso é que contamina o homem.”, devemos sempre nos lembrar de alguns detalhes importantes, que na maioria das vezes foge ao entendimento superficial.

Primeiramente devemos entender que do ponto de vista vaisnava, a alimentação vegetariana, por si somente, não fornece espiritualidade nem transcendência. A dieta vegetariana apenas nos qualifica para as práticas espirituais. Prabhupada nos explica que um gorila é vegetariano desde o nascimento, mesmo assim ele não tem a espiritualidade desenvolvida.

Os argumentos que serão descritos a seguir são fruto de estudos de alguns teólogos cristãos vegetarianos, porém não são universalmente aceitos. Assim, deixamos por conta do leitor a conclusão final sobre a validade das mesmas.

Para os judeus, o homem perfeito, Adão, era um vegetariano. Em Gênesis 1:29 está escrito: “E disse Deus (a Adão): Eis que vos tenho dado toda erva que dá semente, que está sobre a face de toda a terra; e toda a árvore, em que há fruto de árvore que dá semente, ser-vos-á para mantimento.”. Isso porque, no Jardim do Éden, não se podia trabalhar, sendo assim, matar violentamente um animal, cortar-lhe a carne e cozinhá-la não combinava com uma vida paradisíaca, mas sim com uma vida de misérias, o que ele passou a ter após ter recebido como castigo a saída do Éden. Os judeus já sabiam que matar um ser vivente para comer é considerado pecado, pois no decálogo (Êxodo 20:13) está escrito “Não matarás”. Por isso existe, no judaísmo, leis para desagravo, para quando se necessita matar algum ser vivente ou fazer guerra ou escravos, pois Deus, por ser bondoso, não poderia aceitar essas situações. Essas leis são chamadas de “kosher” e são destinadas a tornar a guerra, escravatura e a matança de animais menos violentas. Por isso nunca vemos um judeu num açougue normal. Um judeu só come carne quando ela é classificada de “kosher”, pois dessa forma ele saberá que antes de se matar o animal para consumo, foi feita uma cerimônia religiosa, onde o animal não sofra tanto e para desagravo do pecado cometido.

Como sabemos, Jesus era, antes de tudo, um judeu, porém por sua estatura espiritual, ele não poderia aceitar a matança de animais em sacrifício nos templos. Por isso ele demonstrou-se claramente contra a presença dos vendilhões no templo, não que Jesus tenha tido raiva do comércio em si dentro do templo, mas principalmente por que os comerciantes vendiam animais para serem abatidos dentro do templo como oferenda a Deus. Jesus pediu aos seus discípulos para pregar contra a matança de animais, pois ele mesmo era o “cordeiro de Deus”, cujo sacrifício anulava a necessidade de se matar animais para esse fim. Dessa forma, Jesus se colocou no lugar dos animais, que deveriam ser mortos em sacrifício, poupando-lhes a vida. É também interessante lembrar-se, que após a morte e ressurreição de Jesus, o templo em Jerusalém foi destruído, conforme Jesus havia previsto, o que impediu que se continuasse a matança de animais em larga escala por um bom tempo.

É claro que os cristãos além de serem muito refratários a essas evidências, também vão dizer que Jesus fez a multiplicação dos pães e dos peixes, demonstrando que ele não ligava para esse tipo de coisas. Porém vamos prestar bem atenção ao que está escrito na passagem da primeira multiplicação de alimentos: “Então eles lhe disseram: Não temos aqui senão cinco pães e dois peixes. E ele disse: Trazei-mos aqui. E tendo mandado que a multidão se assentasse sobre a erva, tomou os cinco pães e os dois peixes, e erguendo os olhos ao céu, os abençoou e, partindo os pães, deu-os aos discípulos, e os discípulos à multidão.” (Mateus 14:17-19); agora vejamos o que está escrito na segunda multiplicação de alimentos: “E os seus discípulos disseram-lhe: Donde nos viriam num deserto tantos pães para saciar tal multidão? E Jesus disse-lhes: Quantos pães tendes? E eles disseram: Sete, e uns poucos de peixinhos. Então mandou à multidão que se assentasse no chão. E tomando os sete pães e os peixes, e dando graças, partiu-os, e deu-os aos seus discípulos, e os discípulos à multidão.”(Mateus 15:33-36). Porém agora, vejamos o que está escrito mais adiante, em Mateus 16:9-10: “Não compreendeis ainda, nem vos lembrais dos cinco pães para cinco mil homens, e de quantas alcofas levantastes? Nem dos sete pães para quatro mil, e de quantos cestos levantastes?.”. Gostaria que reparassem nas partes grifadas. Por que se referem apenas aos pães e não aos peixes? Alguns estudiosos do assunto dizem haver evidências que originariamente essa história não incluía os peixes, mas que os mesmos foram inseridos posteriormente.

A vida de Jesus inteira está relacionada com os animais: ele nasceu numa manjedoura, entre os animais; ele, juntamente com João Batista, instituíram o batismo na água para o pagamento dos pecados, como substituição a matança de animais no templo; ele alterou a comemoração da Páscoa, onde os judeus comiam um carneiro, e após o advento de Jesus passou-se a comer apenas pão sem fermento e vinho; por fim ele foi preso e morto após o incidente onde Jesus expulsa os vendilhões do templo, que vendiam animais para sacrifício.

Também é interessante conhecer algumas partes do livro de Isaías, onde o profeta diz: “De que me serve a mim a multidão de vossos sacrifícios? Diz o Senhor, já estou farto dos holocaustos de carneiros, e da gordura de animais nédios e não folgo com o sangue de bezerros, nem de cordeiros, nem de bodes.”(Isaías 1:11), mais no final do livro encontramos: “O que mata um boi é como o que fere um homem, o que sacrifica um cordeiro, como o que degola um cão...”(Isaías 66:3).

A citação bíblica mais direta sobre as benesses da dieta vegetariana, podemos encontrar em Daniel 1:12, onde está escrito: “Experimenta, peço-te, os teus servos dez dias, fazendo que se nos dêem legumes a comer e água a beber.”, e depois em Daniel 1:15: “E, ao fim de dez dias, apareceram os seus semblantes melhores; eles estavam mais gordos do que todos os mancebos que comiam porção do rei (que continha carne).”

Budismo e lacto-vegetarianismo.

Segue abaixo algumas citações do evangelho de Buda que corroboram o lacto-vegetarianismo:

“Não mateis. Respeitai a todo ser vivente.”

“O homem implora a misericórdia dos deuses e não tem misericórdia pelos animais, para os quais ele é como um deus. Tudo quanto vive está unido por laços de parentesco, e os animais que matais já vos deram o doce tributo de seu leite, o macio de sua lã, e depositaram sua confiança nas mãos daqueles que os degolaram.”

“Ninguém pode purificar seu espírito com sangue, pois se os deuses são bons, não lhes pode ser agradável o sangue, e se são maus, não basta este para suborná-los.”

“Feliz seria a terra se todos os seres estivessem unidos pelos laços da benevolência e só se alimentassem de alimentos puros, sem derrame de sangue. Os dourados grãos, as reluzentes frutas e as saborosas ervas que nascem para todos, bastariam para alimentar e dar fartura ao mundo.”.

Encontramos no Sutra de Lótus:

“O Buddha disse a Manjushri: [...] Quanto às associações próprias para eles, bodhisattvas e mahasattvas não devem relacionar-se proximamente com criadores de porcos, carneiros, galinhas ou cães, ou ainda com praticantes da caça, da pesca ou de outras atividades malévolas. [...] Também não deve associar-se a carniceiros ou cortadores, nem com os que caçam animais ou apanham peixe, ou matam e ferem por lucro. Com esses que trabalham na venda de carne ou que oferecem mulheres e vendem os seus favores com pessoas destas não se deve associar.”(Sutra de Lótus - Capítulo Quatorze: Práticas Pacíficas)

Está escrito no Sutra da Rede de Brahma:

“Um discípulo de Buda não deve deliberadamente comer carne. Não deve comer a carne de qualquer ser senciente. O comedor de carne perde a semente da Grande Compaixão, corta a semente da Natureza de Buda e faz com que os seres [animais ou transcendentais] o evitem. Aqueles que assim procedem são culpados de incontáveis ofensas [...]”(Sutra da Rede de Brahma – Capítulo VI – Terceiro Preceito)

No Dhammapada está escrito:

“Um homem que injuria seres vivos não se torna desta maneira um Ariya (nobre).

Mostrando-se inofensivo para com todos os seres vivos, ele é sim chamado Ariya.” (Dhammapada – verso 270)

Espiritismo e lacto-vegetarianismo.

É sabido entre os médiuns, que nos dias em que se realizam as reuniões de trabalho espírita, deve-se evitar o consumo de carne. Alguns espíritos como Ramatis, defendem abertamente o lacto-vegetarianismo.

Alguns espíritos como Ramatís, defendem abertamente o lacto-vegetarianismo:

“[...]O homem primário pode fartar-se tranqüilamente na devora de vísceras retalhadas dos seus irmãos menores, porque ainda vive escravizado às suas sensações da vida material e a Divindade não pode julgá-lo um pecador. Mas é aberrativo e censurável que os homens já vinculados a labores espiritualistas, como espíritas, umbandistas, esoteristas, rosacrucianos, teosofistas ou yogas, ainda se fartem e se provém de carne estraçalhada dos animais! [...]” (Ramatís – A Vida Humana e o Espírito Imortal – pág. 101 – Problemas da Alimentação)


Prasada – o alimento oferecido a Deus.

Segue abaixo algumas citações do Bhagavad-Gita sobre alimentação:

B.G. 9.26:

“Se alguém Me oferecer, com amor e devoção, folhas, flores, frutas ou água, Eu aceitarei.”

B.G. 17.7:

“Mesmo o alimento que cada pessoa prefere é de três espécies, conforme os três modos da natureza material. O mesmo se aplica aos sacrifícios, às austeridades e à caridade. ...”

B.G. 17.8:

“Os alimentos apreciados por aqueles que estão no modo da bondade aumentam a duração da vida, purificam a existência e dão força, saúde, felicidade e satisfação. Semelhantes alimentos são suculentos, gordurosos (cheios de nutrientes), saudáveis e agradáveis para o coração.”

B.G. 17.9:

“Alimentos que são muito amargos, muito acres,  salgados, quentes, picantes, secos e ardentes são apreciados por quem está no modo da paixão. Tais alimentos causam sofrimento, miséria e doença.”

B.G. 17.10:

“Alimento preparado mais que três horas antes de ser ingerido, alimento insípido, decomposto e putrefato, e alimento que consiste em refugos e substâncias intocáveis atrai aqueles que estão no modo da escuridão.”

De acordo com a conclusão védica, nossas vidas devem ser utilizadas para a satisfação do Senhor Supremo. Dentro deste contexto, tudo o que fazemos deve ser consagrado a Deus, até mesmo o hábito de comer. Por isso, um vaishnava prepara alimentos no modo da bondade (satvicos) para oferece-los à Deus. Um vaishnava entende que o alimento não é preparado e consumido apenas com o propósito de nos livrar de um desconforto fisiológico chamado “fome”, ou simplesmente para a satisfação do sentido do paladar e do olfato, mas acima de tudo para manter nosso corpo saudável e bem disposto, para que ele seja utilizado com um instrumento de Deus. Quando oferecemos o alimento à Deus com amor e devoção Ele aceita, e como tudo aquilo que Deus aceita se torna puro e purificador, o alimento se transforma em “prasada” ou “misericórdia” de Deus. Todo aquele que se alimentar dessa prasada terá sua consciência purificada.


Lacto-vegetarianismo e violência.

De acordo com a lei do Karma, recebemos de volta a reação de nossos atos e pensamentos.

Quando matamos milhões de animais inocentes, todos os anos, simplesmente para satisfazer nosso caprichoso paladar, teremos que receber de volta, de alguma forma, essa violência desnecessária.

Também por isso o mundo está cheio de ódio e de guerras. O próprio hábito alimentar humano vêm aumentando a violência social em todo o mundo.

Pelo simples fato de poluirmos nosso organismo com as toxinas da carne, envenenando nossos líquidos corporais, também chamados de “humores”, já estamos nos predispondo à violência. Daí vem o termo “mal humorado”, pois um corpo intoxicado produz uma mente irritada, intolerante e amargurada. Quando nosso corpo está livre de intoxicações, nossos líquidos corporais estão limpos e nos sentimos “bem humorados”.

Alguns vegetarianos famosos:

Krishna, Buddha, Shankaracarya, Ramanujacarya, Madvacarya, Mahavira, Caitanya Mahaprabhu, Pitágoras, Sócrates, Platão, Clemente de Alexandria, Plutarco, o Rei Asoka, Leonardo da Vinci, Montaigne, Akbar, John Milton, Sir Isaac Newton, Emanuel Swedenburg, Voltaire, Benjamin Franklin, Jean Jacques Rousseau, Henry David Thoreau, Leon Tolstoy, George Bernard Shaw, Rabindranath Tagore, Mahatma Gandhi, Albert Shweitzer, Albert Einstein, Swami Bhaktivedanta Prabhupada, Paramahansa Yogananda, Ramakrishna, Swami Vivekananda e também alguns artistas como: Richard Gere, George Harrison e família, Paul Macarney e família, Tina Tuner, entre outros. Também é digno de nota o nome de  Carl Lewis, atleta olímpico, ganhador de 9 medalhas olímpicas.

Mahesvara Caitanya Das (JPS)
Biólogo e membro da ISKCON há 17 anos.
É Secretário de Assuntos Inter-Religiosos da Fundação Bhaktivedanta,
membro da ISKCON Justiça e Coordenador do Fórum de Diálogo Inter-Religioso Uni-Luz.
Site: http://mahesvaradas.multiply.com

Fontes: fórum Krishna-katha

Um comentário:

  1. Ótima matéria! Eu estou tentando começar a dieta vegetariana e desde pequena tinha essa vontade, mas tenho muitas duvidas de como me alimentar. Vc poderia fazer uma matéria com sua dieta lactovegetariana? Não é tão fácil assim de encontrar.

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