segunda-feira, 11 de julho de 2011

Ratha Yatra 2011 traz cultura indiana para as ruas de Belo Horizonte

(Procissão Hare Krishna percorrendo a Avenida Afonso Pena neste Final de Semana)

Em meio à correria de um dos principais corredores de trânsito de Belo Horizonte, motoristas e pedestres conferiram neste Sábado uma procissão festiva, rica em cores e alegria. Por volta das 11h00, a Avenida Afonso Pena, na Região Central, foi tomada pelo desfile do Festival da Índia Ratha-Yatra, tradicional manifestação do Movimento Hare Krishna. Durante o evento, um carro decorado com flores e fitas que transportava as Deidades(formas Divinas esculpidas em madeira) foi puxado pelos integrantes do Movimento vestidos com roupas indianas. A procissão seguiu ao som de mantras e tendo à frente dançarinas de Bharatanatyam, dança clássica indiana. A concentração do grupo teve início às 10h00, na Praça Sete. De lá, seguiram até o Parque Municipal, onde uma programação de dança, música, gastronomia lactovegetariana e ioga foi realizada em frente ao Teatro Francisco Nunes. De acordo com os Hare Krishna, o festival é uma forma de agradecimento e de devoção a Krishna, Deus.

Trazido para o Ocidente em 1965, o Movimento reúne cerca de 350 pessoas em Belo Horizonte. “O Hare Krisna tem como base o desenvolvimento das relações com Deus. É uma filosofia que trabalha com aperfeiçoamento espiritual e pessoal do indivíduo. Se caracteriza pela mudança e expansão da consciência”, explica um dos seguidores do Movimento, o jornalista Romero Carvalho, que recebeu o nome espiritual de Sri Krishna Murti das. Segundo Carvalho, o Festival é realizado em várias cidades do Brasil e também de outros países. “Em Belo Horizonte, ele ocorre desde 1995, mas ficou suspenso por oito anos, entre 2000 e 2008”, contou.

Um dos precursores do movimento no Brasil, o guru, mestre espiritual, Purushatrya Swami, de 65 anos, veio de Paraty, no Rio de Janeiro, especialmente para o festival. “Essa festa é tradicional em todo o mundo e reúne milhares de pessoas de todas as idades”, disse. No entanto, Swami pondera que o movimento antes caracterizado pela força jovem, hoje é mais fortalecido pelo grupo familiar. “Com as novas tecnologias, os jovens estão cada vez mais presos à internet, redes sociais e videogames. Não têm mais a mentalidade voltada para o desenvolvimento espiritual”, afirmou.

Entre os participantes do Festival estava o casal Mônica Paula Silveira, de 42 anos, que é vendedora, e o professor Sérgio Mendes, de 40 anos. Acompanhados do filho Abhay Silveira Mendes, de 9 anos, eles contaram que a decisão de integrar o Movimento Hare Krishna garante força para vencer as dificuldades e a correria do dia a dia. “Com as atividades de meditação, estudos e canto de mantras conseguimos uma expansão da consciência para vivermos com mais tranquilidade”, disse. Com um pandeiro nas mãos, Abhay conta que na escola todos o elogiam por fazer parte do Hare Krishna. “Gosto muito do Movimento. Sou competente e estar aqui me faz melhor”. A pequena Cloe Fisher, de 4 anos, também se mostrou firme em compor o Movimento. “Vim aqui hoje com minha mãe para ajudar a puxar o carro com as Deidades”.

E para quem está acostumado a ver muitos atos de protesto na Afonso Pena, o desfile surpreendeu. “Eles têm uma energia boa, parecem calmos. Passam um estado de paz interna para a gente. Além do mais, são bem festivos. Me chamou a atenção o quanto estão alegres. Achei muito bacana”, contou a ascensorista Nádia Trindade, de 30, que trabalha em um prédio na Avenida Afonso Pena.

Para o porteiro Evandro Gonçalves, ficará a marca de organização do grupo. Segundo ele, a maior parte das manifestações realizadas na Praça Sete são atos confusos, que atrapalham o trânsito e deixam muita sujeira para trás. “Os membros do Hare Krishna se mostraram diferentes. São organizados. Até mesmo o local onde eles quebraram um coco, o que parece fazer parte de um ritual deles, já foi limpo”, contou. O operador de produção que passava pela Praça Sete reservou um tempinho em meio ao corre corre e parou para apreciar. “Gostei das vestimentas que são coloridas e da música, muito alegre”, destacou.

Pelo Mundo

O Festival da Índia Ratha-Yatra já foi realizado em cidades como Moscou, Paris, Londres, Madri, Budapeste, Roma, Amsterdã, Buenos Aires, Lima, Nova Dehli, além de diversas cidades norte-americanas. Em Nova York, a festa reúne anualmente cerca de 10 mil pessoas em Manhattan. No Brasil, o Ratha-Yatra ocorre em São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador, Curitiba, Porto Alegre, Campina Grande, na Paraíba e nas cidades do interior paulista de Pindamonhangaba e Franco da Rocha (SP). Cem pessoas, em média, participaram do Festival da Índia Ratha-Yatra em Belo Horizonte.

Fontes: Jornal Estado de Minas


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