segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

São os cristãos e Jesus vegetarianos? 1/2

PARTE 1/2

São os cristãos vegetarianos? - Keith Akers  

Este artigo foi fornecido por Keith Akers da Sociedade Vegetariana de Denver, Colorado, o qual foi Secretário Regional para os Estados Unidos da IVU. Ele escreveu o artigo juntamente com Richard Shorter de Londres, Inglaterra. 
A maioria dos cristãos hoje provavelmente come carne sem dar ao assunto qualquer atenção. Mas muitos cristãos primitivos eram vegetarianos, incluindo Clemente de Alexandria, Orígenes, João Crisóstomo e Basílio o Grande. Segundo alguns escritos da igreja primitiva, Mateus, Pedro e João (irmão de Jesus e primeiro líder da igreja de Jerusalém) eram vegetarianos.
As seguintes citações são oferecidas, não como porva de uma dieta vegetariana, mas simplesmente como material para reflexão para os cristãos ponderarem sobre o significado da compaixão, do amor e da criação de Deus. Deus se preocupa com os animais? Ele deseja que nós nos preocupemos com os animais também?
Vegetarianos Cristãos Primitivos
O apóstolo Mateus repartiu as sementes, as nozes e os vegetais sem carne.
Clemente de Alexandria (The Instructor, livro 2, capítulo 1).

Pedro disse, "Eu vivo de azeitonas e pão aos quais raramente acrescento vegetais".
Pseudo-Clementine Homolies 12,6; também Recognitions 7,6.
Tiago, o irmão do Senhor... era santo desde o útero de sua mãe; e ele não bebia vinho, nem comia carne.
Hegesippus, citado em The Church History of Eusebius, livro 2, capítulo 23.
Vegetarianismo: Ideal Original e Última Esperança
E Deus disse, "Eis aí vos dei eu todas as ervas, que dão as suas sementes sobre a terra; e todas as árvores que têm as suas sementes em si mesmas, cada uma segundo sua espécie, para vos servirem de sustento a vós".

Gênesis: 1:29-30
Naquele dia farei a favor de Israel aliança com as bestas-feras do campo, e com as aves do céu, e com os répteis da terra; e tirarei deste o arco e a espada, e a guerra, e os tirarei da terra para que todas as criaturas vivas possam deitar-se sem medo.

Oséias 2:18
Morará o lobo com o cordeiro,
E o leopardo com o cabrito se deitará;
E o bezerro, e o leão novo e o animal cevado viverão juntos;
E um menino pequeno os conduzirá.
A vaca e a ursa pastarão juntas,
E as suas crias juntas se deitarão;
E o leão comerá palha como o boi.
A criança de peito brincará sobre a toca da áspide,
E a desmamada meterá a sua mão na cova do basilisco.
Não se fará mal nem dano algum em todo o meu santo monte;
Porque a terra se encherá do conhecimento do Senhor,
Como as águas cobrem o mar.

Isaías 11: 6-9
Ele enxugará de seus olhos toda lágrima; e não haverá mais morte, nem haverá mais pranto, nem lamento, nem dor; porque já as primeiras coisas são passadas.
Apocalipse 21: 4
Deus se Preocupa com os Animais
O Senhor é bom para todos, e as suas misericórdias estão sobre todas as suas criaturas.
Salmos 145:9
Olhai para as aves do céu, que não semeiam, nem ceifam, nem ajuntam em celeiros; e vosso Pai celestial as alimenta.
Mateus 6:26
Deus Quer que nos Preocupemos com os Animais
O justo olha pela vida dos seus animais.
Provérbios 12:10
Se vires deitado debaixo da sua carga o jumento daquele que te odeia, não passarás adiante; certamente o ajudarás a levantá-lo.
Êxodo 23:5
Se vires o jumento ou o boi de teu irmão caídos no caminho, não te desviarás deles; sem falta o ajudarás a levantá-los.

Deuteronômio 22:4
Quem mata um boi é como o que tira a vida a um homem.

Isaías 66:3
 
Os Sacrifícios de Animais são Rejeitados por Deus
De que me serve a mim a multidão de vossos sacrifícios? diz o Senhor. Estou farto dos holocaustos de carneiros, e da gordura de animais cevados; e não me agrado do sangue de novilhos, nem de cordeiros, nem de bodes. Quando vindes para comparecerdes perante mim, quem requereu de vós isto, que viésseis pisar os meus átrios? Não continueis a trazer ofertas vãs; o incenso é para mim abominação.
Isaías 1:11-13
Há sangue em suas mãos; lavai-vos, purificai-vos; tirai de diante dos meus olhos a maldade dos vossos atos; cessai de fazer o mal.
Isaías 1:16
Pois misericórdia quero, e não sacrifícios; e o conhecimento de Deus, mais do que os holocaustos.

Oséias 6:6
Mas, se vós soubésseis o que significa: Misericórdia quero, e não sacrifícios, não condenaríeis os inocentes.

Mateus 12:7
Os sacrifícios foram inventados pelo homem como pretexto para comer carne.

Clemente de Alexandria
Outros Testemunhos Cristãos
O ato de comer carne era desconhecido até o grande dilúvio, mas desde então passaram a colocar os mal cheirosos sumos da carne dos animais em nossas bocas, assim como o lançaram entre o queixoso e sensual povo do deserto. Jesus Cristo, que apareceu quando a hora havia chegado, novamente uniu o fim com o princípio, de modo que não nos é mais permitido comer a carne dos animais.
São Jerônimo
Os vapores das comidas com carne obscurece o espírito. Dificilmente pode-se ter virtude se se desfruta de comidas e festas em que haja carne. No paraíso terreno não havia vinho, nem sacrifício de animais e tampouco se comia carne.
São Basílio
Todas as coisas da criação são filhos do Pai e irmãos do homem... Deus que que ajudemos aos animais, se necessitam de ajuda. Toda criatura em desgraça tem o mesmo direito a ser protegida.
São Francisco de Assis

Não permitas que ninguém negligencie o peso de sua responsabilidade. Enquanto tantos animais continuam a ser maltratados, enquanto o lamento dos animais sedentos nos vagões de carga não sejam emudecidos, enquanto prevalecer tanta brutalidade em nosso matadouros... todos seremos culpados. Tudo o que tem vida tem valor como um ser vivo, como uma manifestação do mistério da vida.
Albert Schweitzer

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revolucaodacolher.org

REVOLUÇÃO DA COLHER

“Pois uma criança nascerá para nós, um filho nos será dado e o governo repousará em seus ombros e seu nome sera chamado Maravilhoso Conselheiro, Deus Poderoso, Pai Eterno, Príncipe da Paz.” (Bíblia Sagrada, livro de Isaías).

Como alguém que viveu para defender o amor por toda a humanidade, incluido animais, há ampla evidência que mostra que Jesus viveu sua vida como um pacifista e vegetariano. A primeira evidência clara de que o Mestre Jesus era um vegetariano é que seus apóstolos viviam da dieta de vegetais. O Padre Eusébio da Igreja escreveu em seu trabalho “Demonstração Evangélica”: “Eles (os apóstolos) abraçaram e preservaram em uma árdua e cansativa vida, com jejum e abstinência de vinho e carne.” E em seu texto “História da Igreja”, o Padre Eusébio escreveu que o apóstolo João “nunca comia carne.”

O Padre da Igreja Primitiva São Clemente de Alexandria, que também era vegetariano, escreveu sobre o apóstolo Mateus: “É muito melhor ser feliz do que ter seus corpos atuando como cimitérios para os animais.” Assim, o apóstolo Mateus partilhava de sementes, nozes e hortaliças, sem carne.” E no “Clementine Homilies”, de São Clemente, São Pedro é citado como tendo dito: “Vivo de azeitonas e pão ao qual raramente acrescento hortaliças.”

No evangelho dos Hebreus, que era sagrado para grupos de Cristãos Primitivos tais como os Ebionitas, Jesus Cristo e João Batista são descritos como vegetarianos. Os Ebionitas, bem como os outros grupos de Cristãos Primitivos eram vegetarianos. Os ebionitas aceitavam só o Evangelho de Hebreus como autêntico e criam que este Evangelho era o original Evangelho de Mateus.

Em sua versão do Evangelho de Hebreus, conhecido como o Evangelho dos Ebionitas, Jesus disse: “Eu vim para abolir os sacrifícios, e se você não pára de sacrificar, a ira de Deus não cessará em você.”

Segundo o Evangelho dos Ebionistas, o Senhor Jesus também rejeitou a refeição da Páscoa. “Onde quereis que preparemos para comerdes a Páscoa?” Ao que ele respondeu: “Não tenho nenhum desejo de comer a carne deste Cordeiro Pascal com vocês.”

A visão de que Jesus não comeu o cordeiro na refeição da Páscoa também é apoiada por sua Santidade o Papa Bento XIV, que afirmou: “Em toda a probabilidade ele (Jesus) celebrou a Páscoa com seus discípulos em conformidade com o calendário de Qumram, então pelo menos um dia antes, ele o celebrou sem cordeiro, como a comunidade de Qumram que não reconhecia o Templo de Herodes e estava à espera do novo templo.”

O irmão do Mestre Jesus, Tiago o Justo, também é ralatado ter sido vegetariano. De acordo com o historiador da Igreja Hegesippus e o Evangelho de Tomé, Tiago o irmão de Jesus tornou-se o líder da Igreja Primitiva após a morte de Jesus. Hegesipo, citado por Eusébio, escreveu: “O apóstolo, Tiago o irmão do Senhor, apelidado o Justo, foi nomeado o chefe da Igreja em Jerusalém. Na verdade, muitos são chamados de Tiago. Este foi um Santo desde o ventre de sua mãe. Ele não bebia nem vinho nem bebida forte, não comia carne, nunca raspou-se ou se ungiu com óleo ou banho. Somente ele tinha o privilégio de entrar no Santo dos Santos, pois na verdade ele não usava vestimentas de lã mas de linho e ia sozinho para o templo e orava em favor do povo.”

O estudioso da Bíblia Dr. Robert Eisenman escreveu em seu altamente aclamado livro “Tiago, o irmão de Jesus”: “Por causa da estatura preeminente de Tiago, as fontes para ele revelam-se bastantes abrangentes, mais do que para qualquer outro comparável personagem, mesmo para aqueles familiares a nós como João Batista e Pedro. De fato, fontes extras bíblicas contém mais informações confiáveis sobre Tiago do que sobre Jesus.”

O Dr. Robert Eisenman concluiu: “Quem e seja o que Tiago foi, assim foi Jesus.” Quando Dr. Eisenman foi perguntado se ele poderia presumir que Jesus era vegetariano também, ele respondeu: “Quase certamente.”

Em uma entrevista com a Supreme Master Television, Keith Akers, autora do livro “A Religião Perdida de Jesus”, reafirmou as evidências de que o Senhor Jesus era realmente um vegetariano.

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http://www.gotquestions.org/Portugues/index.html

 Pergunta: "Era Jesus um vegetariano? Deve um Cristão ser vegetariano?"

Resposta: Jesus não era vegetariano. A Bíblia registra ocasiões quando Jesus comeu peixe (Lucas 24:42-43) e carneiro (Lucas 22:8-15). Jesus milagrosamente alimentou as multidões com peixe e pão, o que seria estranho para Ele fazer se fosse vegetariano (Mateus 14:17-21). Em uma visão ao Apóstolo Pedro, Jesus declarou que todas as comidas eram purificadas e lícitas, incluindo os animais (Atos 10:10-15). Depois do Dilúvio nos tempos de Noé, Deus deu à humanidade permissão para comer carne (Gênesis 9:2-3). Deus nunca anulou essa permissão.

Tendo dito isso, não há nada de errado se um Cristão decide ser vegetariano. A Bíblia não nos comanda a comer carne. Não há nada de errado em não comer carne. O que a Bíblia diz é que não devemos forçar nossas convicções sobre esse assunto em outras pessoas ou julgá-las caso comam ou não comam carne. Romanos 14:2-3 nos diz: "Porque um crê que de tudo se pode comer, e outro, que é fraco, come legumes. O que come não despreze o que não come; e o que não come, não julgue o que come; porque Deus o recebeu por seu."

Novamente, Deus deu à humanidade permissão para comer carne depois do Dilúvio (Gênesis 9:3). Na Lei do Velho Testamento, a nação de Israel foi comandada a não comer certos tipos de comida (Levítico 11:1-47), mas nunca foi proibida de comer carne. Jesus declarou que todas as comidas, incluindo todos os tipos de carne, tinham sido purificadas (Marcos 7:19). Como com qualquer outra coisa, cada Cristão deve orar e pedir a Deus por direção quanto ao que Deus quer que comam. Qualquer coisa que tal pessoa decida comer é aceitável a Deus contanto que agradeçam a Ele por ter providenciado alimento (1 Tessalonicenses 5:18). 1 Coríntios 10:31 declara: "Portanto, quer comais quer bebais, ou façais outra qualquer coisa, fazei tudo para glória de Deus."

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www.adventistas.com

 
Era Jesus Vegetariano?

Jorge Panserini*

No site Adventistas.com há um teste de conhecimento bíblico afirmando que Jesus não era vegetariano. Com o devido respeito, a conclusão é precipitada e quiçá equivocada . Alguns textos bíblicos foram usados sem a devida reflexão.

Consideremos porém o seguinte:

Em Gênesis 18:8 afirma-se que Abraão, tendo já reconhecido dentre os três anjos a presença de Deus (pois se prostrara diante deles e chamara a um de "Senhor meu") ofereceu-Lhe bolos de flor de farinha, um bezerro, coalhada e leite "e pôs tudo diante deles, ficando ele em pé ao lado deles debaixo da árvore; e eles comeram".

Esta passagem deve ser comparada com Juízes 6:19 a 21. De que forma os anjos comem e de que forma o Anjo do Senhor come? Nesta passagem, Gideão, ao ver o Anjo do Senhor, à semelhança de Abraão, "preparou um cabrito e fez, com uma e efa de farinha, bolos ázimos; pôs a carne num cesto e o caldo numa panela e, trazendo para debaixo do carvalho, lho apresentou. Mas o anjo de Deus lhe disse: Toma a carne e os bolos ázimos, e põe-nos sobre esta rocha e derrama-lhes por cima o caldo. E ele assim fez. E o anjo do Senhor estendeu a ponta do cajado que tinha na mão, e tocou a carne e os bolos ázimos; então subiu fogo da rocha, e consumiu a carne e os bolos ázimos; e o anjo do Senhor desapareceu-lhe da vista".

Parece que Abraão fez uma oferta pacífica (Levítico 2; 3:1-5, etc.). Tanto é, que em outra ocasião, aparecendo a Manoá, o Anjo do Senhor recusou comer  um cabrito que Lhe fora preparado, ordenando a Manoá que Lho oferecesse como holocausto com a oferta de cereais sobre uma rocha e então o consumiu com fogo. Eis a passagem: "Então Manoá disse ao anjo do Senhor: Deixa que te detenhamos, para que te preparemos um cabrito. Disse, porém, o anjo do Senhor a Manoá: Ainda que me detenhas, não comerei de teu pão; e se fizeres holocausto, é ao Senhor que o oferecerás. (Pois Manoá não sabia que era o anjo do Senhor). ... Então Manoá tomou um cabrito com a oferta de cereais, e o ofereceu sobre a pedra ao Senhor; e fez o anjo maravilhas, enquanto Manoá e sua mulher o observavam.. E o Senhor fez maravilhas enquanto Manoá e sua mulher observavam" (Juízes 13:15 a 19).

É bom lembrar que anjos são espíritos e não comem. Na passagem de Lucas 24:36 a 43, Jesus, já ressuscitado, comeu algo diante dos discípulos com o propósito de provar que "um espírito não tem carne nem ossos, como vedes que Eu tenho". Isto prova que anjos, como seres espirituais, não comem, e, logo, o Anjo do Senhor que apareceu a Abraão não "comeu" literalmente, mas consumiu a oferta pacífica.

Mas então a última passagem citada, de Lucas 24, prova que Jesus comeu "um pedaço de peixe assado?". Não necessariamente. Seria precipitado assim concluir. A passagem diz que lhe apresentaram um pedaço de peixe assado e um favo de mel, e Ele comeu diante deles. A expressão "e um favo de mel" não aparece em algumas traduções e em outras ela aparece entre colchetes, significando que não consta de alguns manuscritos originais.

Devemos considerar que o contexto da passagem não visa provar o que Jesus comeu e sim o fato de ele ter comido. O assunto do texto não é regime alimentar e sim ressurreição em carne e ossos. Por isso os copistas e os tradutores não tinham a preocupação com detalhes aparentemente irrelevantes para o contexto.

Fato semelhante ocorre na famosa passagem do ladrão na cruz em que Jesus diz: Em verdade te digo hoje: estarás comigo no paraíso", traduzida despreocupadamente por alguns como "em verdade te digo: hoje estarás comigo no paraíso". A posição em que se põem os dois pontos pode influir na questão da mortalidade ou imortalidade da alma. Outros tradutores, pegando o sentido da colocação equivocadada pausa, acrescentaram a palavra "que" (te digo que hoje estarás etc.). Mas o contexto não se destinava a provar mortalidade ou imortalidade e sim da salvação imediata ao pecador arrependido.

Da mesma forma a expressão "um peixe assado e um favo de mel" ou somente "um peixe assado" não se preocupa em provar o regime alimentar de Jesus e não pode ser usada com esse propósito. Não é forçar o texto supor que os discípulos lhe tenham apresentado as duas coisas - peixe e mel - e que Jesus tenha se servido apenas desta última.

Na Bíblia, muitas mães de bebês especiais para Deus foram orientadas pelo anjo quanto aos cuidados e alimentação de seu futuro filhinho enquanto pequeninos, em razão da missão que haveriam de cumprir. A mãe de Sansão foi orientada: "Agora pois, toma cuidado, e não bebas vinho nem bebida forte, e não comas coisa alguma impura; porque tu conceberás e terás um filho, sobre cuja cabeça não passará navalha, porquanto o menino será nazireu de Deus desde o ventre de sua mãe; e ele começara a livrar a Israel da mão dos filisteus" (Juízes 13:4 e 5).

Também Manoá pediu e recebeu instruções: Então disse Manoá: Quando se cumprirem as tuas palavras, como se há de criar o menino e que fará ele? Respondeu o anjo do Senhor a Manoá: De tudo quanto eu disse à mulher se guardará ela; de nenhum produto da vinha comerá; não beberá vinho nem bebida forte, nem comerá coisa impura; tudo quanto lhe ordenei cumprirá. (Versos 12 a 14). E João Batista "alimentava-se de gafanhotos (há um vegetal comestível com esse nome) e mel silvestre" (Mateus 3:4).

Com Jesus não seria diferente. "Portanto o Senhor mesmo vos dará um sinal: eis que uma virgem conceberá, e dará à luz um filho, e será o seu nome Emanuel. Manteiga e mel comerá, até que saiba rejeitar o mal e escolher o bem" (Isaías 7:14 e 15). Trata-se de instruções quanto à alimentação de Jesus enquanto bebê, até que o Menino tivesse idade para decidir por si mesmo quanto à sua alimentação.

Manteiga e mel são símbolo de alimentação equilibrada. A passagem indica que a alimentação de Jesus não foi algo irrelevante, mas que Sua mãe recebeu instruções. Alimentando-se Ele de manteiga e mel e sendo-Lhe apresentados um pedaço de peixe assado e um favo de mel, não é exagero pensar que Ele tenha optado por comer somente o mel.

Diz Ellen White que carne nunca foi o melhor alimento e que é especialmente prejudicial agora, quando os animais estão doentes. É portanto errado dizer que em algum tempo da história carne tenha sido um bom alimento e que a luz do vegetarianismo é alguma novidade revelada somente no tempo do fim.

Na criação do mundo, quando "tudo era muito bom" (Gênesis 1), a alimentação do homem já era vegetariana. Foi o próprio Jesus Cristo quem planejou e determinou essa alimentação para as Suas criaturas antes mesmo da fundação do mundo, posto que todas as coisas foram feitas por intermédio dEle (João 1:3).

Não foi o próprio Jesus que disse ao homem: "Eis que vos tenho dado todas as ervas que produzem semente, as quais se acham sobre a face de toda a terra, bem como todas as árvores em que há fruto que dê semente; ser-vos-ão para mantimento"? (Gênesis 1:29).

Até o dilúvio o povo de Deus foi vegetariano. A alimentação cárnea foi então emergencial. Após o dilúvio o homem deveria regressar ao regime original mas continuou a comer carne, abreviando seus dias de vida.

Ao sair o povo do Egito, foi o próprio Jesus Cristo quem orientou o povo na reforma de saúde e na alimentação sem carne, à base de maná. Mas o povo murmurou e teve saudades das panelas de carne do Egito. Foi Jesus Cristo que, contra a Sua vontade, acedeu à vontade do povo, fazendo chover codornizes, pois a murmuração do povo fora muito grande.

"Ora, o vulgo que estava no meio deles veio a ter grande desejo; pelo que os filhos de Israel também tornaram a chorar, e disseram: Quem nos dará carne a comer?" Números 11:4. Foi Jesus quem lhes deu carne a comer, "até vos sair pelas narinas, até que se vos torne coisa nojenta" (verso 20). Foi Ele quem feriu o povo com uma praga mui grande, "quanto a carne ainda estava entre os seus dentes, antes que fosse mastigada" (verso 33).

Lembramos aqui que Deus às vezes acede, contra a Sua vontade, à vontade do povo, por amor do Seu nome. Tomemos dois exemplos: a poligamia e a monarquia. Não era da vontade de Deus que o homem tivesse mais de uma esposa, mas ele se desviou de seu plano e muitos homens de Deus tiveram muitas esposas e Deus, na Sua paciência, não considerou pecado em respeito à luz que eles tinham e que estavam em condições de absorver. Salomão teve setecentas esposas e trezentas concubinas.

As reformas de Deus são gradativas e respeitam nossa capacidade de caminhar. Seremos julgado pelo tanto de luz tínhamos condições de absorver e não absorvemos. Quando Jesus veio e esclareceu que o homem deve ser monogâmico, Ele não estava criando um mandamento novo, mas restaurando uma luz que fora revelada desde o princípio do mundo. Ele próprio cita o texto de Gênesis a respeito. Esclarecido o assunto por Jesus, o homem passa a não ter mais desculpas. Disse Jesus: "Se Eu não viera e não lhes falara, não teriam pecado; agora, porém, não têm desculpa do seu pecado". João 15:22.

O segundo exemplo é quando o povo desejou, contra a vontade de Deus, ter um rei, e Deus, contrariado, concedeu-lhes o desejo. Da mesma forma, o plano de Deus sempre foi que o homem fosse vegetariano, porém, diante das murmurações, Deus acedeu com restrições, permitindo que comesse carnes de animais limpos, abstendo-se de sangue, de gordura animal, de vísceras, etc. Portanto, o vegetarianismo, assim como a monogamia, não é um mandamento novo ou uma luz nova, mas o resgate de um conhecimento já antes revelado e esquecido pelo homem.

O fato é que Jesus Cristo criou o homem e determinou desde o princípio sua alimentação vegetariana. Ele acompanhou o povo e toda a sua jornada de pecados e apostasias. Esteve com o povo de Israel no deserto, na forma de uma coluna de nuvem durante o dia e de fogo à noite.

Foi Jesus quem mandou maná para alimentar o povo. Foi a Jesus que o povo murmurou por carne. Foi Jesus quem fez chover codornizes para que eles comessem e morressem de doenças.

Foi Jesus quem inspirou Daniel e seus companheiros a comerem somente vegetais.

Foi Jesus quem lhes deu com isso grande sabedoria na corte de Nabucodonosor.

Foi Jesus quem, nos tempos atuais, deu a Ellen White as instruções sobre a reforma de saúde e retorno ao regime original, pois o Espírito de Profecia é chamado de "Testemunho de Jesus".

Então por que Jesus serviu carne aos seus discípulos? Por que ele multiplicou os peixes para alimentar a multidão e não somente os pães? Por que ele, aparecendo na praia, serviu peixe assado aos apóstolos? Por que Elias foi alimentado com carne levada por corvos? A resposta é óbvia e já foi dada nos parágrafos acima. Jesus Cristo respeita a luz que cada pessoa recebeu a seu tempo. Ele disse: "Ainda tenho muito que vos dizer; mas vós não o podeis suportar agora. Quando vier, porém, aquele, o Espírito da verdade, ele vos guiará a toda a verdade; porque não falará por si mesmo, mas dirá o que tiver ouvido, e vos anunciará as coisas vindouras" (João 16:12 e 13).

Os discípulos de Jesus ainda não tinham luz sobre a reforma de saúde, revelada a nós séculos mais tarde pela Testemunha fiel e verdadeira. Porém já naquele tempo carne não era "o melhor alimento". Adão e os antediluvianos já sabiam disso milênios antes.

A grande indagação é: Jesus, quando viveu aqui na Terra, tinha a luz que hoje temos e que os Seus discípulos ainda não haviam recebido? Jesus, examinando as Escrituras, percebera que no princípio a alimentação era vegetariana?

Lendo a Bíblia, Ele tirou alguma lição do primeiro capítulo de Daniel quanto à alimentação vegetariana? Sabia Jesus que a vontade de Seu Pai para o antigo Israel era uma alimentação à base de maná? Entristecia-se o Mestre ao relembrar que o povo clamara pelas panelas de carne do Egito? Ao ler Salmo 78, Jesus meditou na passagem que diz: "E tentaram a Deus nos seus corações, pedindo carne para satisfazerem o seu apetite. Também falaram contra Deus, dizendo: Poderá Deus porventura preparar uma mesa no deserto? Acaso fornecerá carne para o seu povo?" (versos 18 e 19).

Em síntese: Jesus, em sua peregrinação aqui na Terra, viveu segundo a luz parcialmente revelada aos Seus discípulos naquela época ou de acordo com a plenitude da luz ainda não totalmente conhecida pelos seres humanos de seu tempo? Viveu ele segundo a luz que mais tarde Ele próprio revelaria a Ellen White?

A resposta correta é obviamente a última opção. Ao dizer aos discípulos ter ainda muito a lhes revelar, Jesus já sabia o que o Espírito de Verdade haveria de revelar por Ellen White a nós no tempo do fim. Sabia também que o regime original não se destinava a ser adotado somente em alguma época em particular, mas para toda a humanidade em todos os tempos. Os discípulos, enfrentando muitas lutas, provações e perseguições próprias da época, não estavam ainda preparados para mais reformas. Mas Jesus, conhecendo a luz e sendo a Luz do mundo, viveu segundo a plenitude da luz.

Não é possível que Jesus esteja atando a nós, no final dos tempos um fardo que Ele próprio não tenha carregado (se bem que não se trata de fardo mas de uma bênção) Isto era obra dos fariseus hipócritas e não de Jesus. Ele próprio carregou todas as nossas cargas. Jesus era temperante e iniciou sua vida pública jejuando quarenta dias e vencendo o apetite, que era o ponto no qual o homem havia falhado por onde e o pecado entrado no mundo. Ele próprio nos advertiu para que nossos corações não se carregassem de glutonarias.

Outra questão é quanto aos sacerdotes e o povo de Israel comerem carne em suas cerimônias religiosas. Trata-se não de alimentação, mas de um ritual para expiação do pecado, representando a aceitação do sacrifício de Cristo, o Cordeiro. Nas cerimônias não era necessário comer mais do que uma minúscula partícula. Isto não anula o princípio de que fora dessas ocasiões o povo pudesse ser vegetariano, com vantagens para a saúde do corpo e da mente e também para a vida espiritual.

É certo assim que o povo de Deus comeu carne, muitas vezes servida pelo próprio Deus e não foi condenado por isso. Mas o tema deste estudo é se o próprio Jesus teria sido vegetariano. Teria ele comido carne de cordeiros em cerimônias religiosas como a Páscoa? Ora, como já se falou, uma minúscula partícula comida com fins ritualísticos não transmudaria um vegetariano em carnívoro e nem autorizaria o comer carne em outras ocasiões. O cordeiro era o símbolo do próprio Jesus. Era comido na Páscoa para remissão dos pecados.

Jesus porém não tinha pecados e por isso não tinha porque sacrificar cordeiros ou comê-los em rituais. É certo, por um lado, que Ele também não precisava ser batizado mas o foi para nosso exemplo. É possível assim, que mesmo não necessitando de salvador ou de expiação seus próprios pecados Ele tenha comido carne nessas ocasiões, mas a Bíblia não o revela expressamente.

A Bíblia fala que Ele comeu a páscoa com os discípulos e esclarece que naquela ocasião instituiu a Ceia do Senhor, com pão e vinho não fermentados, como símbolo da nova aliança. A passagem mais clara não diz expressamente que ele tenha se servido do cordeiro: "E disse-lhes: Tenho desejado ardentemente comer convosco esta páscoa, antes da minha paixão; pois vos digo que não a comerei mais até que ela se cumpra no reino de Deus. Então havendo recebido um cálice, e tendo dado graças, disse: Tomai-o, e reparti-o entre vós; porque vos digo que desde agora não mais beberei do fruto da videira, até que venha o reino de Deus. E tomando pão, e havendo dado graças, partiu-o e deu-lho, dizendo: Isto é o meu corpo, que é dado por vós; fazei isto em memória de Mim". Lucas 22:15-19.

Nada podemos acrescentar à Palavra de Deus para tirar conclusões não reveladas. A Bíblia também diz que Jesus comeu com pecadores e Ele disse: "veio o Filho do homem, comendo e bebendo, e dizem: Eis aí um comilão e bebedor de vinho, amigo de publicanos e pecadores". Mateus 11:19.

A passagem revela com quem Jesus comeu e não o que Ele comeu. Ele podia sentar-se à mesa com publicanos e pecadores e servir-se de opções compatíveis com o regime natural. Afinal, é do Testemunho de Jesus a orientação: "Quando assentados a uma mesa onde a carne é servida, não devemos vibrar um ataque contra os que a usam, mas deixá-la intocada quanto a nós, e se nos perguntarem a razão de assim proceder, devemos de maneira bondosa explicar o motivo de não a usarmos" (CRA, 562).

O assunto pode gerar polêmica e indignação. Que não sirva este estudo de tropeço para ninguém, pois não é esta a questão mais importante do cristianismo. Mas o argumento de que Cristo comeu carne e deu-a aos seus discípulos tem sido usado com freqüência por aqueles que se recusam a riscar esse artigo de sua alimentação e até para se oporem às necessárias reformas exigidas pelo Testemunho de Jesus. Quanto a estes, servem estas linhas para que reflitam sobre seus argumentos e não os usem tão apressadamente.

(*) O autor é Juiz de Direito e Ancião de Igreja.



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